10 jul 2012 - 1.047 visualizações - Por HEAVY

[crítica] O Espetacular Homem-Aranha

Eis que no último fim-de-semana tivemos a estreia de O Espetacular Homem-Aranha nos cinemas. O filme traz um novo começo para a franquia do Cabeça de Teia, após a saída do diretor Sam Raimi (que deu origem a dois excelentes filmes de super-herói e uma terceira parte controversa). Agora, dirigido por Marc Webb (de 500 Dias Com Ela), o Aranha ganha um novo visual e uma história que combina erros e acertos, mas que no fim consegue gerar um filme divertido.

Uma coisa que particularmente acho desnecessária é a recontagem da origem do herói. O primeiro filme, de 2002, ainda está bem vivo na mente do públicoe acho que praticamente todos sabem que os poderes do Aranha tem origem na picada de uma Aranha radioativa (ou genéticamente alterada, dependendo da versão). Peter Parker (agora interpretado por Andrew Garfield) é o nerd que todos conhecemos, apaixonado por ciências e um hábil fotógrafo (e, quando de óculos, bizarramente parecido com o PC Siqueira! O_O). Embora esteja um pouco mais descolado do que na trilogia de Raimi, ainda vive sofrendo com o bullying no colégio, especialmente do valentão da turma, Flash Thompson, e é apaixonado pela bela e inteligente Gwen Stacy (Emma Stone, definitivamente uma excelente escolha para o papel), que nos quadrinhos foi seu primeiro amor adolescente. Como não podia deixar de ser, Peter continua orfão e vive com seus tios May (Sally Fields, bem jovem para o papel) e Ben (Martin Sheen – outra ótima escolha do elenco). Mas aqui, Peter foi abandonado pelos pais quando criança, o que nos leva à uma das maiores controvésias do filme. Essa história dos pais de Peter nunca deu muito certa quando explorada nos quadrinhos, o que me faz não conseguir entender por que é utilizada neste filme. Os pais de Peter eram cientistas da Oscorp e trabalhavam com o Dr. Curt Connors em uma pesquisa de cruzamento genético entre espécies. Quando encontra uma antiga maleta de seu pai, Peter resolve ir atrás do Dr. Connors e descobrir mais sobre seu passado.

Na Oscorp, além de descobrir que Gwen é estagiária do Dr. Connors, Peter sofre a fatídica picada da aranha que mudaria seu destino, embora não fique claro qual seria a propriedade especial do inseto desta vez. Temos o período de descoberta dos poderes, Peter os usando para se vingar dos anos de bullying e o momento em que deixa um ladrão escapar quando poderia tê-lo detido, o que acaba gerando a morte de seu tio e lhe trazendo o peso da responsabilidade. Mesmo que a famosa frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” não seja proferida, a mensagem do tio Ben ainda está ali, mas de forma mais sutil.

Enquanto procura entender quem se tornou, Peter acaba por ajudar o Dr. Connors a concluir sua pesquisa, o que fatídicamente faz com que o cientista se transforme no vilão Lagarto, o que nos leva a outro problema de adaptação: deram ao Aranha e o Lagarto praticamente a mesma origem! Essa série de coincidências e histórias interligadas foram um grande problema no terceiro filme de Sam Raimi, e é repetido aqui (de forma bem menos problemática, graças a Odin).

Por outro lado, o Homem-Aranha em si está bem mais próximo das HQs em muitos aspectos. O lado piadista e meio “troll” que Peter deixa aflorar quando veste a máscara está presente, e a cena em que Peter começa a zoar com um ladrão de carros é muito boa. Além disso, o Aranha agora está bem mais acrobático e sagaz e temos várias cenas em que seus movimentos remetem diretamente aos quadrinhos na época de Todd McFarlane. Aliando isso a uma fotografia muito bonita (especialmente nas cenas noturnas), pode-se dizer que este filme é uma grande diversão visual, com um 3D muito bem aproveitado nas cenas de ação.

Outra coisa que gostei muito foram os diálogos do filme, coisa que o diretor sabe conduzir muito bem (quem já assistiu 500 Dias Com Ela sabe do que falo). Além do excelente clima criado entre Peter e Gwen, os diálogos ajudam a desenvolver muito bem a relação de herói com seu tio, em uma relação paternal muito bonita.

A vida de Peter continua recheada de problemas e, além de ter que enfrentar um Lagarto tentando transformar a população de Nova York em criaturas semelhantes a ele, temos o Capitão Stacy (sim, pai de Gwen!) comandando a polícia contra o Aranha, considerado pela corporação apenas um vigilante mascarado e fora-da-lei.

Enfim, o Espetacular Homem-Aranha é um filme que, embora apresente algumas falhas de adaptação, diverte bastante e empolga em suas cenas de ação. Com certeza vale o ingresso de uma sessão 3D. Alías, vá a nossa fanpage no Facebook e concorra um ingresso na faixa para este fim-de-semana no Cine-Glória Valença! Corra que a promoção vai até esta quinta, com anúncio do vencedor na sexta!

NOTA DO FILME: 8

Marcus HEAVY

Um jovem afro-brasileiro tentando vencer na vida. Professor por profissão, nerd por opção, louco por maioria de votos.

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